Nascida e criada em Portugal. Já morei na Polónia, no Brasil, na República Checa e agora é a Suécia que me acolhe.
O meu blogue, tal como o meu cérebro, é uma mistura de línguas. Bem vindos!

Born and raised Portuguese. I have lived in Poland, Brazil, Czech Republic and now I'm in the beautiful Sweden.
My blog, just like my brain, is a blend of languages. Welcome!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Museu de História Natural


Hoje passei a tarde no Museu de História Natural de Belo Horizonte. O museu tem exposições de diferentes coisas, como minerais, fósseis, plantas e alguns animais. Talvez esteja demasiado mimada pelos museus europeus, mas achei este um bocadinho pobre. Um bocadinho é favor... É muito vazio, com poucas explicações e pouca interacção do público. Ainda assim, vale a pena pela natureza em redor. Tem um lago cheio de tartarugas, macaquinhos à solta a saltar de árvore em árvore, e muitas árvores enormes. Gostei ainda do esqueleto real de uma preguiça gigante, com cerca de 3m. Pode ter sido lenta como as preguiças são, mas devia meter cá um medo...

 A preguiça gigante

Havia ainda um espaço para a ciência. A demonstração de química foi engreçada, principalmente para as crinças, mas a sala denomida "Física divertida", bem... tinha 2 espelhos, um de aumentar outro de diminuir, uma sistema para fazer bolas de sabão grandes e uma cadeira de pregos... muito divertido (ou será que estou mesmo mimada pelos museus de ciência que já visitei em várias cidades?). 

 Macaco-prego

Existe ainda o Presépio do Piripau, que é muito engraçado. Quando tinha 12 anos, em 1904 o senhor Raimundo comprou um menino Jesus para fazer um presépio. Mas o senhor Raimundo não tinha mais dinheiro e decidiu fazer mais figuras com os materiais que encontrava, nomeadamente com uma pasta de papel, água e cola. O presépio foi crescendo e tem hoje mais de 500 figuras, representando cerca de 17 cenas numa cidadezinha. O senhor morreu em 1988, e enquanto foi vivo era ele mesmo que apresentava o presépio ao público do museu (a casa do senhor ficou demasiado famosa e ele aceitou transferir o presépio para o museu). A melhor parte é que as figurinhas são animadas. Há barcos na água, homens a cortar árvores, pessoas a irem à missa, com os sinos da igreja a tocarem, crianças a andarem de baloiço, entre muitos outros. Achei o máximo! Como as figuras são frágeis, o presépio só é ligado aos fins de semana e duas vezes por dia durante 5 minutos. Fomos avisados que no final haveria trovoada e relâmpagos. A trovoada era um ruído estranho gravado e os relâmpagos uma lâmpada a acender e a apagar. Era tão simples que se tornou engraçado... mas se virmos bem, nos anos 80 a tecnologia não deveria dar para muito mais...


Ficou por ver a apresentação sobre morcegos, porque a minha companheira de visita tinha medo e a caminhada de 1h pela floresta porque chegámos demasiado tarde... fica para a próxima!
Assim, apesar de o museu não ser muito bom, vale definitivamente a pena visitar o espaço!

Sábado no laboratório

Depois de uma semana comprida com várias novidades no trabalho, passei o sábado no laboratório.
É que passo a semana a ajudar os estudantes todos, a organizar tralhas que ninguém mais quer organizar e depois começo a trabalhar nas minhas coisas às 5h da tarde todos os dias... Não me queixo! Antes assim do que ter uma tese para escrever no final, mais uma defesa de tese e afins. 

No entanto, e acho que pela primeira vez, decidi partilhar aqui um pouco daquilo onde ando metida. 
Lasers... muitos lasers... de todas as cores! Nas fotos aparece o vermelho e o laranja, mas às vezes é amarelo, azul, verde, roxo, e sempre muito "cool". Trabalho com as luz apagada, pois a luz da lâmpada influência as experiências, o que torna o ambiente ainda melhor. 


Adoro! Brincar com os espelhinhos e as lentes e guiar o feixe do laser por onde quero, passar nuns buraquinhos pequeninos, faze-lo entrar na máquina, foca-lo, etc. Um máximo!

Claro que sou perita em desalinhar coisas... Na sexta, por exemplo, bati com a mão numa lente que estava solta sem querer, e isso custou-me a mim e ao C. 2h de alinhamento, e a mim ainda me custou o sábado. Mas não faz mal...

Além disso, na sexta-feira começo a dar aulas! Ai, vai ser bonito, vai...

domingo, 1 de agosto de 2010

Projecto moda

Ouvi falar do programa de TV "Projecto Moda" há pouco tempo. Li alguns comentários sobre o primeiro episódio português em alguns blogs que sigo e todos me deixaram intrigada com a tal Rosina. Mas quem será a Rosina? Todos falavam que o programa era chato e sem interesse, mas se mantiverem a Rosina lá ela arranca umas boas gargalhadas ao publico.

Convencida que a Rosina era a Maria Rueff vestida de uma designer espalhafatosa qualquer decidi ver o primeiro episódio na internet. Quem é a Rosina afinal??? Nada mais nada menos que uma costureira de 39 anos da Guarda... Pois é... O sotaque é real e realmente é a única coisa engraçada naquele programa. Eu que achava que aquele sotaque já tinha desaparecido (sim porque 99% das pessoas que eu conheço lá não falam assim).

Por tudo isso aqui fica o meu apoio: Força Rosina! Arrebenta com eles!

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Ginásio... no Brasil

Quem me conhece sabe que estar quieta é quase impossível. Tal como na Polónia, também no Brasil decidi ir gastar as minhas energias extra num ginásio. Como a "malhação" é a "modalidade" mais conhecida e practicada do Brasil decidi experimentar. Aqui não se brinca em serviço. Os instrutores são todos licenciados em educação física (na Polónia a maioria tinha feito um workshop de 2 meses e chegava). Antes de começar é obrigatória uma avaliação física pelo fisioterapeuta. O treino é depois programado ao pormenor tendo em conta essa avaliação. Quando digo ao pormenor é ter um papel escrito com os exercicios, quantos devo fazer, o peso que devo usar, a altura da cadeira, a altura da peça que fica nos tornozelos/cotovelos (dependendo do exercício), alongamentos, etc... tudo mesmo!
Hoje foi o primeiro dia... desconfio que amanhã nem me vou mexer...



Também aprendi a minha primeira lição.

Lição n.1: Se estás a fazer um exercício de musculação pela primeira vez e não te custa... estás a fazer alguma coisa errada!

Mais uma cá de casa

Nesta casa cada dia é uma novidade. Hoje ouvi vozes no andar debaixo. Será que foi o colega de casa que voltou? É melhor lá ir ver... Estavam dois homens que nunca tinha visto na vida a conversar na minha sala. Eu entro, e olho para eles com aquela cara do tipo..."e vocês são?". Com a maior das calmas o mais velho explica-me que é o ex-marido da senhoria e que o rapaz que estava com ele ia ficar uns dias. Vou passar à frente aquela parte em que eu acho que pagando a renda todos os meses acho que tenho o direito de saber se vem alguém novo ou não, e que tipo pedir licença para entrar também não seria má ideia principalmente sabendo que não nos conheciamos, ou mesmo que tocasse a campaínha e entrasse já melhorava... e vou passar à parte engraçada da conversa. 

Senhor: E há quanto tempo é que vocês (o E. também lá estava) estão aqui?
Eu: Eu estou desde Março, e ele está desde Novembro. Ele não fala muito português ainda...
Senhor: Ah, e você está aqui desde Março? Mas o seu português já é muito bom!
Eu com aquela cara de "'tas a gozar não 'tás?: Eu sou portuguesa...

Entre este e o que me disse que eu era de Curitiba, por causa do meu sotaque... venha o diabo e escolha...

Eu respondo sempre o mesmo a esse tipo de comentários:  

Eu não tenho sotaque... vocês todos é que têm!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Sons no laboratório

B. talking to herself while preparing a sample: Now here it comes the hardest part...
Patapum (sound of something breaking)
B.: Well... not anymore...

Experimentais vs Teóricos - part II

Eu: Está a ver estas rectas que eu obtive? A expressão teórica não se ajusta, deve haver aí um outro parâmetro que é preciso considerar ou mudar.
E: Pois, deve ser isso. Eu vou dar uma vista de olhos e logo te digo.

Duas semanas depois...

E: Eu olhei para a tua expressão e a conclusão a que cheguei é que tens que repetir a experiência outra vez.
Eu: Obrigado! Até aí cheguei eu assim que vi os pontos... E por acaso eu repeti e deu igual... e agora?
E: Agora não sei. Isso deve ser erro experimental (resposta típica de um teórico quando não sabe como resolver o problema).

Mas atenção! Conheço teóricos normais (a maioria até)... o nosso é que é um caso especial.

Experimentais vs Teóricos

A B. é minha colega e é uma física experimental.
O E. também é meu colega, mas é um físico teórico.

B para o E: Eu quero provar esta expressão experimentalmente, mas preciso que me calcules esta constante aqui que não dá para determinar experimentalmente.

Duas semanas depois...

E: Oh B., já pensei no teu problema. Então temos esta expressão blá blá blá. Então a minha conclusão é que tens que determinar esta constante experimentalmente e depois eu posso calcular o resto.
B: Mas eu tenho o resto, eu preciso é da constante... que não dá para medir experimentalmente.
...
E: Porque é que não dá? Pegas na amostra, pões lá na máquina e medes!
B: Mas isso requer alta temperatura e vai queimar-me a amostra.
E: E então?
B: Então não a posso usar depois de queimada e preciso dela para continuar a experiência!

Não... o E. não tem 10 anos... tem mais de 30. Mas eu deveria ter desconfiado quando lá em casa me pediu "tu que és uma cientista experimental, abre-me aqui este frasco de azeitonas"...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Faxineira

Por morar com dois rapazes e me ter cansado de limpar tudo sozinha, aceitei a sugestão da senhoria e contratámos uma empregada 2 vezes por mês. A senhora é a maior simpatia e muito engraçada. Mas no final de limpar a casa, aquece o almoço dela no fogão e deixa o tacho para nós lavarmos...

É justo... ela limpa o que nós sujamos e nós o que ela suja...

Aqui no Brasil as coisas são tal e qual nas novelas. Toda a gente tem uma "faxineira", talvez por cobrarem tão barato e as pessoas mais ricas têm até empregadas que cuidam da casa todos os dias, dormem lá, usam fardas e fazem sucos quando as madames chegam a casa. Muito chique e criam-se empregos!