Nascida e criada em Portugal. Já morei na Polónia, no Brasil, na República Checa e agora é a Suécia que me acolhe.
O meu blogue, tal como o meu cérebro, é uma mistura de línguas. Bem vindos!

Born and raised Portuguese. I have lived in Poland, Brazil, Czech Republic and now I'm in the beautiful Sweden.
My blog, just like my brain, is a blend of languages. Welcome!

sábado, 11 de setembro de 2010

São Paulo

São Paulo é uma cidade de pedra e contrastes. Foi já a segunda vez que lá fui e não me impressionou menos. Edifícios altíssimos, muito trânsito e muita gente são uma constante. No entanto, é também uma cidade com tanto para ver e viver.

Não são obras, são barracas onde moram pessoas, bem ao lado de prédios quase luxuosos

Dia 1:
Samba samba samba! Adoro o samba mineiro, mas o samba paulista também mexe muito comigo. O primeiro é um pouco mais lento deixando ouvir mais o som da guitarra, enquanto que no segundo dominam os pandeiros e toda a percursão (é o samba do carnaval que nós conhecemos). Tenho vários primos da minha faixa etária em São Paulo, e mal cheguei fomos todos a uma casa de samba danças e beber cerveja a tarde toda. A tarde começa com boa conversa e todos sentados à mesa. Quando a banda ao vivo começa a tocar o pessoal levanta-se e começa a dançar. No final, as mesas já estão todas dobradas e encostadas à parede e já anda tudo aos beijos em todo o lado. Uma experiência que vale a pena. A banda chama também os aniversariantes ao palco para cantar os parabéns e soprar uma vela. Os meus primos acharam por bem eu ir também, mesmo não fazendo anos. Disseram que foi para compensar eu não ter subido ao palco há quase 3 anos atrás quando passei o meu aniversário numa outra casa de samba também em São Paulo.

Dia 2:
Museu da Lingua Portuguesa: incluida uma exposição de Fernando Pessoa. Muito interactivo e nada chato. Estava muito engraçado mesmo. Demos ainda um passeio curto pelo centro, na parte mais antiga. Vêem-se pessoas de todos os estilos e profissões. 


A seguir levaram-me a uma festa de aniversário de uma miuda de 10 anos que nunca me tinha visto à frente. Levaram-me só porque sou prima da prima da prima e logo sou prima deles de 10º grau. As festas dos miudos são muito à frente! Uma salão grande dividido em duas partes: mesas e discoteca com mesa de jogos e brinquedos. Miudos de um lado, graudos do outro. Os empregados de mesa andam de um lado para o outro a servir snacks e bebidas em bandejas. Distribuem-se mascaras com brilhantes, antenas e outros enfeites a todos e a certa altura a musica torna-se mais antiga e vão os papás todos enlouquecer para o meio da pista. Como eu não era nem muito grande nem muito criança aproveitei bem as duas partes. O pormenor engraçado é que só conheci a aniversariante quando já me estava a despedir de todos.


Dia 3:
Viagem para Socorro, uma cidade a 2h de São Paulo onde a minha prima tem um sitio (casa de campo). Absolutamente fantástico! Isto sim é qualidade de vida! E não, não são podres de ricos. No Brasil, ganhando razoavelmente consegue-se bem ter uma casa destas para fins de semana. 



Dia 4:
A familia pediu, eu fiz: bacalhau! Fiz com natas e à bras, para os que não gostavam de natas. Vi a minha familia Paulista toda reunida à mesa e quase me senti em casa. É muito bom saber que mesmo a quilometros de casa, tenho uma "outra" familia tão animada e prestável, e só a 1h de BH. 



Quero voltar!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Vida de Posdoc

Querem saber porque é que não tenho escrito muito na última semana?
Não tenho escrito porque saio de casa antes das 8h da manhã, regresso à meia noite e não páro um segundo o dia todo. 

Querem saber se tenho chegado tarde por fico a trabalhar? Não, tenho chegado tarde porque tenho ido beber cerveja depois do trabalho. Entre a despedida de uns, a chegada de outros e uns aniversários pelo meio foi assim a semana toda.

Na terça é feriado e amanhã vou até São Paulo. Depois conto...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Till, a saga de um heroi torto

A cultura no Brasil é muito forte e a paixão deste povo pelas artes muito acentuada. Uma das maiores vantagens disso é a riqueza desta cidade em peças de teatro, musicais e concertos. Há dois dias atrás, um dos maiores grupos de teatro brasileiro, o Grupo Galvão original desta cidade, decidiu fazer uma actuação aqui mesmo nos jardins da universidade. A peça era fenomenal de um humor brilhante que me fez rir do ínicio ao fim. Tinha até o personagem de sotaque português que era burro e lento (como já esperava...).



Adorei ainda mais a iniciativa de poder sair do trabalho e poder sentar-me na relva a ver uma peça de teatro de qualidade sem me ser cobrada uma entrada. E mais contente fiquei ainda quando me disseram que isto acontece várias vezes no ano. Estou pronta para mais...

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Domingo cheio de animação

Ia eu rua abaixo numa das principais avenidas no centro da cidade quando vem um senhor ter comigo e me pergunta se eu sou mineira ou se sou do sul. Notei que falava num português diferente e tendo em conta a sua idade já avançada pensei que era mais um emigrante português que se deixou conquistar pelo Brasil. Assim, respondi-lhe que era portuguesa. O senhor ficou muito surpreendido e mostrou-se feliz, pelo que lhe perguntei se também ele era português. Respondeu que não, mas que os seus antepassados eram. Que o seu tataravô era portugês e tinha sido morto pela inquisição e que ele na verdade tinha sangue real. Continuou a falar que o seu sobrenome era não-sei-quê Lima, uma família muito conhecida até aos dias de hoje em Portugal (ah sim?). Depois de tanta conversa saca do seu panfleto de um saco. O Brasil vai ter eleições em Outubro e o senhor é candidato a deputado federal, pelo partido monarquico. Assim que vi tal gesto pensei "logo vi, tanta conversa só podia ser política" e imediatamente lhe digo "o senhor sabe que campanha comigo não funciona, não sabe? É que eu nem votar posso!". Mas que inocente fui eu ao pensar tal coisa de sua realeza... "Claro que sei", respondeu ele "Mas como a achei tão simpática vou-lhe dar um autografo. Qual é o seu nome?". Oh claro, mas quanta honra! Que fui eu pensar de sua alteza! Perdida de riso lá lhe disse o nome e ao despedir-me decidi fazer o senhor feliz e dizer-lhe que tinha sido uma honra conhece-lo. E foi... fez-me rir o caminho todo!

Melhor momento que esse (hoje) foi depois de ter comprado uma esfregona e me ter lembrado que me tinha esquecido de ir à livraria comprar um presente. Lá andei eu no meio das estantes com a esfregona na mão e o segurança de olhos cravados em mim... não fosse eu limpar alguma coisa...

Pensando melhor o momento alto do dia foi mesmo quando no autocarro, com a mesma esfregona na mão, tropecei nela e ia caindo no meio do corredor. Mas o motorista já me conhece desde o edredon e a caixa de panelas da semana passada...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

São os pequenos gestos que fazem a diferença

Às vezes são as pequenas coisas que fazem toda a diferença. Hoje fiz algo quase sem pensar que deixou a pessoa tão feliz que acabou por mudar também o meu dia... para melhor claro! É bom voltar a trabalhar num ambiente em que somos todos uma grande família.

Toninho Horta


Toninho Horta é um guitarrista que nasceu em Belo Horizonte e fez imenso sucesso pelo mundo. No Brasil é conhecido basicamente só aqui, em Minas Gerais, porque toca um tipo de jazz com influências brasileiras, e o jazz não é muito apreciado no Brasil. Ele também fundou o famoso Clube da Esquina, que foi um movimento musical nascido na década de 60, aqui também, em BH. A musica do Clube da Esquina continua a ser muito apreciada e tocada também. É do melhor e mais puro da musica brasileira (por mais que tentem ashé, funk, e rebolecho jamais chegarão à qualidade do chorinho e sambinha mineiro).

Tudo para dizer que ontem tive oportunidade de assistir a um show do Toninho Horta. Não gosto particularmente de jazz mas valeu a pena ir ouvir este senhor. A parte melhor foi quando ele falou que conheceu em Portugal "a grande senhora do fado, a Amália... err... Baptista". 

Mas é sempre bom sair para beber cerveja, relaxar, conversar e sobretudo rir muito.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A corrigir relatórios

Um dos meus alunos escreveu uma equação e a seguir explicou que A era a área, r o raio e...


Só para o caso de eu estar distraída...

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Mudei de casa...

ou...

Como isto...


Se transforma nisto...

 Atenção à combinação de cores... o vermelho da mantinha da tap que dá com o azul e amarelo do edredon e o laranja e verde dos lençois! Muito à frente!

Num só dia! Uff!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Brazilian technology

Nas casas basileiras não existem esquentadores ou caldeiras, portanto não existe água quente corrente. No chuveiro só existe uma torneira e há um botão no próprio chuveiro que permite escolher entre Inverno e Verão. Na teoria, no Inverno a água sairia quente e no Verão fria. E na prática? Como não existem esquentadores a água vem de uns contentores enormes que as pessoas põe nos telhados ou terraços das casas. Num país cheio de sol a calor a ideia até não é má... mas, no Inverno a água não aquece o suficiente e apanha-se muito frio a tomar banho. No verão a água sai a escaldar e como só há uma torneira não dá para misturar com fria. A escolha é tomar banho de água fria, que não vem dos contentores e que geralmente está mesmo fria!

No Verão aguenta-se e no Inverno... também!

Inverno a sério

Ou quase!
O termómetro às 7h30 da manhã marcava 13 ºC e estava ao sol. Ah e tal, isso é que é frio? Deves mas é estar a ficar brasileira.
Pode não estar um frio de rachar, mas as casas não são isoladas. Sinto uma leve briza bater-me no rosto quando estou deitada e tapada na cama. Além disso e o pior... é tomar banho às 7h da manhã, com a janela da casa de banho semi-aberta (porque está estragada) e com água fria... Em cada manhã acordo e penso "oh não... shower time again".

Por isso sim... está frio! Até porque camisolas grossas não trouxe nenhuma... achava que não eram precisas. A sorte é que o frio nunca vem por muitos dias, e em Setembro chega a primavera.