Nascida e criada em Portugal. Já morei na Polónia, no Brasil, na República Checa e agora é a Suécia que me acolhe.
O meu blogue, tal como o meu cérebro, é uma mistura de línguas. Bem vindos!

Born and raised Portuguese. I have lived in Poland, Brazil, Czech Republic and now I'm in the beautiful Sweden.
My blog, just like my brain, is a blend of languages. Welcome!

domingo, 1 de abril de 2012

Ilha Grande - Pico do Papagaio (dia 2)

12.000 m (Ida e volta) - 5h

No primeiro dia completo na Ilha quisemos acabar connosco e fizemos a trilha mais dura. Subimos ao segundo pico mais alto (o primeiro não tem acesso), com 982m de altitude, para encontrarmos uma vista linda sobre as enseadas da ilha. Foram 3h sempre a subir e a suar. Apesar do sol mal penetrar na floresta, o ambiente é muito húmido e o calor faz-se sentir ainda mais. 10 minutos depois de iniciarmos a caminhada as nossas t-shirts já estavam completamente coladas ao corpo, e os 2L de água que levamos souberam muito pouco.

Pico do papagaio visto da vila de Abraão

No início pensamos em "alugar" um guia, pois há muitas histórias de gente perdida, mas na pousada disseram-nos que a trilha estava marcada e decidimos arriscar. O caminho estava de facto marcado com fitas coloridas, marcos vermelhos e nos lugares que deixavam mais duvidas havia placas com setas. 

No início, o caminho era largo, pois é comum a uma outra trilha. Vimos bananas ainda verdes nas bananeiras e enormes plantas de bambú (foto em baixo).

Eu sirvo de escala...

A meio do caminho conhecemos um amigo que se juntou a nós... um cão! No meio da mais pura floresta, longe de todos os barulhos citadinos e só com o piar dos mais diversos pássaros, ouvimos um restolho remexido (a minha cabeça pensou logo... cobra!!!!!!) e era um cachorrinho simpático que arfava como se tivesse vindo a correr o caminho todo. Arfava como eu nunca tinha visto um cão arfar e parámos 5 minutos para ele descansar. 


A trilha nem sempre era fácil...

Acompanhou-nos até ao cimo do pico, onde se divertiu a esconder-se no meio das ervas e deixou-nos a meio da descida, quando encontramos um aventureiro sozinho. Claro está, que o cão nos deixou a nós para subir com o rapaz, porque ainda estava cheio de energia.

 Vila do Abraão vista do Pico do Papagaio

 Ah, o descanso... essa bela descoberta...

 Praias, enseadas, mar e muita floresta a perder de vista

 O nosso amigo escondido a brincar com tudo o que mexe. A meio do caminho encontramos um ribeiro e umas poças de água e ele nem hesitou... deitou-se na água, tal era o calor...

Praia de Lopes Mendes e a Ilha de Jorge Grego

Pelo caminho encontramos muitos tipos de pássaro incluindo beija-flor, macacos mico (na foto) e borboletas. Além disso ainda ouvimos um grito de dor animal, que me fez agarrar logo um pau que nunca mais larguei, e que mais tarde viemos a saber serem macacos bugio. Parece que há muita gente que não faz esta trilha por medo de cobras e jacarés (!?!?), mas não há qualquer problema porque os animais fogem das pessoas e nem se deixam ver...


Quando chegamos ao pé da vila outra vez consideramos fazer mais outra trilha, porque eram só 14.30 (a descida foi bem mais rapida que a subida), mas já não tínhamos mais água e o calor apertava. Em vez disso fomos até à praia do Galego.


Ele há Galego e Galegos, e apesar de eu ter nascido no segundo tenho a dizer que o primeiro é bem mais bonito! Não imaginam a sensação que foi dar um mergulho neste mar fresco, depois de tanto suor transpirado. Não fizemos muito mais o resto dia...

Ilha Grande - Dia 1

Há um ano que o meu chefe me aconselhou a passar férias na Ilha Grande, por ser exactamente o meu estilo. Pesquisei e descobri que a Ilha Grande só tem duas coisas: mato e praias. Pareceu-me bem... 

Não me desiludi. Fiquei hospedada na vila do Abraão, que é a maior da ilha, e pouco maior que os Galegos city. A vila em si é muito acolhedora, com um povo bastante simpático e sobretudo relaxado (ex. hoje não há fruta para o pequeno almoço porque acabou-se a fruta na ilha inteira, mas amanhã já compro - gerente da pousada no segundo dia). No meio da floresta Atlântica há várias trilhas que foram abertos pelos Índios há muitos anos e que ainda hoje são usados para se chegar às praias.

Recolha de lixo

O nosso objectivo era percorrer o maior número de trilhas possíveis sem fazer passeios de barco e sem apanhar taxi boat (tudo na ilha era feito por barco: táxis, recolha de lixo, cargas para o supermercado). Como chegamos à ilha já passava das 13h, nesse dia só fizemos as trilhas mais curtas. Ainda assim passámos por 6 praias diferentes.

 Praia da Julia

 Praia da Jequinha

 No meio da trilha...

 Praia comprida

 Praia da Crena

 Praia do Abraãozinho - o merecido banho, porque estava um calor daqueles!


A seguir voltamos para a vila e encontramos a entrada para uma outra trilha que passava em sitios diferentes e não só em praias.


 Praia Preta - A areia é completamente preta devido aos minerais que a constituem.

 Na praia desagua um pequeno rio. A praia estava cheia de gente, pois é bastante perto da vila e não há 37253 mil barcos a atrapalhar os banhos.

Ruínas do Lazareto - antiga prisão. Infelizmente no Brasil as coisas antigas não se cuidam, mas mandam-se demolir, como aconteceu a este edifício construído em 1886 e mandado demolir pelo presidente da câmara há 40 anos atrás. De entre várias coisas, foi um hospital de quarentena para pessoas vindas da Europa na época da cólera, evitando que o surto entrasse no continente. Mais tarde foi uma prisão. 

 Aqueduto - para que o hospital pudesse ter água pura.

Poção - um pequena piscina natural de água doce

Rua da Praia - Vila do Abraão

A praia é mesmo uma rua, porque tem casas cujas portas dão para o areal. O carteiro já sabe e deve estar habituado, quem não sabia era o monte de turistas que eu vi a arrastar malas gigantes pelo areal e a maldizer a sua vida.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Angra dos Reis - Boat trip #2

No segundo dia o Capitão levou-nos a passear de barco. Eramos apenas 2 casais e ele levou "só" a lancha. Como o outro casal era mais velho, tivemos o prazer de fazer a viagem toda deitados em colchões na frente da lancha. Senti-me uma pop star, confesso. 

(tenho outra foto que mostra melhor o bom que é ir na frente do barco, mas estou de biquini e não quis mostrar o meu rabo aqui)


Começamos por navegar ao largo das casas mais ricas, de pessoas famosas das quais nunca ouvi falar, mas que o casal de brasileiros conhecia. Navegámos por entre ilhas de milionários alemães e suiços, que pareciam lugares de sonho, e vimos os seus barquitos à porta. O pormenor mais engraçado é que as casas não tinham garagem para os carros, mas sim para os barcos.

 Um dos barquitos que vimos. Este pertence ao homem mais rico do Brasil.

 Ilhas Botinas - Pequenas, tropicais e cheias de vida marítima.

 A água era tão transparente! Aqui sim, fiz snorkeling durante 1h e vi muitos peixes e corais diferentes. O bom de não haver mais ninguém por perto é que os peixes não fugiam e se ficasse quietinha os cardumes de peixes coloridos passavam por mim e quase me tocavam. Tenho fotos debaixo de água mas ainda não as tenho disponíveis. Depois publico.


 Uma praia quase deserta (não me lembro do nome). Por um caminho passava-se para uma outra praia onde estavam várias mansões. 

Também fiz snorkeling, mas vi menos peixes. O mais engraçado que vi foi isto. Primeiro assustei-me a pensar que era algum bicho esquisito, mas afinal era só uma carapaça de tartaruga!

 Eu a chegar a uma praia deserta e a pensar "Yay! Vou ser a única pessoa a estar na praia, vou ter uma praia só para mim! Yay!". Estava eu nestes pensamentos quando sai uma mulher do meio do mato, passa e diz "Bom dia", como se fosse ali ao fundo, ao mercado comprar fósforos.

 Para terminar e já cheios de fome fomos almoçar (às 4h da tarde...) a este restaurante. Comemos caldeirada de peixe que não sei se era da fome, mas estava óptima!

 No regresso a casa as nuvens começaram a ameaçar o resto das férias, mas foi só mesmo uma ameaça.

 O hotel e a paisagem em volta vistos do mar.

Ao chegarmos ficamos na conversa, sentados no pontão até ser de noite e depois foi só descansar, que andar muito na água deixa-nos com aquela moleza... No dia seguinte fomos para a Ilha Grande, desta vez para ficar lá hospedados e começaram as grandes aventuras.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Angra dos Reis - Boat trip #1

Na primeira viagem de barco que fiz em Angra fui a vários sitios de águas cristalinas, peixinhos coloridos e muita muita gente. Este roteiro era o único disponível a partir de Angra, pelo que os vários barcos se limitavam a seguir uns aos outros. 

Antes de sair para o passeio passámos por aqui de carro. Ficou logo o sitio eleito para a minha corrida matinal do dia seguinte, que apesar de todas as subidas íngremes valeu muito a pena.


 Porto em frente ao shopping Piratas. Sai-se do barco e vai-se logo às compras.

Angra vista do barco.

O primeiro sitio onde paramos foi na Ilha de Cataguases. O local é lindissimo e pela primeira vez fiz snorkeling decentemente e consegui ver peixinhos às cores! O pior era que a ilha em si era mais pequena que o meu quintal e a quantidade de pessoas era tanta que não deu para apreciar a paisagem tão bem (só no meu barco eram 115 pessoas e estavam mais 3 barcos semelhantes lá parados). Ainda assim consegui algumas fotos bonitas.

 Ilha de Cataguases

O verdadeiro paraíso, não é?

 Nas pedras escondiam-se peixinhos.


A água era cristalina e muito transparente. Dava para ver peixes até sem óculos de mergulho.

A segunda paragem foi na Lagoa Azul, localizado na Ilha Grande, um dos locais mais populares. O problema aqui foi ainda maior. Não havia areal, o propósito era só mesmo fazer snorkeling e ver nadar. Assim, os barcos paravam todos uns ao lado dos outros e as pessoas nadavam entre os barcos... deu para ver muito pouco, até porque o meu barco estava cheio de bêbedos que iam para a água chapinhar e afugentar os peixes... Desta vez nem foto consegui tirar... Deixo apenas uma foto tirada perto da Lagoa Azul, para mostrar mais uma vez a cor da água do mar.


Ao chegar à Lagoa Azul

Com tanto exercício na água já estava tudo cheio de fome e parámos na Praia de Japariz para almoçar uma moqueca de peixe. A praia não era muito grande e estava mais uma vez cheia de gente.

 Praia de Japariz


A última paragem foi a melhor de todas. Parámos na Freguesia de Santana, onde há uma igreja, que segundo os brasileiros é velha, com cerca de 150 anos. Achei mais piada ao facto da igreja ser na praia e de ter uma palmeira gigante ao lado. Esta foi a melhor paragem de todas porque era preciso saltar do barco e nadar até à praia e apenas umas 10 pessoas o fizeram. Assim, tivemos a praia quase só para nós (nisto das praias sou um bocado egoista e quanto mais deserta melhor!). 




 O nosso barco (escuna é o nome oficial)

A seguir começamos a viagem de regresso com um pôr do sol lindo atrás das montanhas. Já chegamos a Angra de noite. Apesar das bebedeiras e vomitadeiras em frente aos filhos e pessoas a desmaiar no barco acho que me conseguí abstrair disso e aproveitar a viagem.



terça-feira, 27 de março de 2012

Angra dos Reis - RJ

A 3h de autocarro do Rio de Janeiro fica Angra dos Reis. A cidade em si é bastante feia, com vários morros (favelas) a subir encosta acima e uma pequena praia poluída. No entanto, atravessando o monte o cenário muda rapidamente e avistam-se muitas mansões (várias de gente famosa), hoteis e resorts. 

O melhor desta região é o encontro da mata Atlântica com o mar, criando uma sintonia natural que só quem visita e conhece consegue imaginar. Já tinha provado disto em Paraty (post aqui) e fiquei fã, e pela segunda vez não me desiludi, pelo contrário... fiquei ainda mais fã.

No hotel...

Confesso que ao chegar a Angra de autocarro e ver tudo aquilo tão sujo e degradado me perguntei o que raio estava ali eu a fazer. Tudo mudou quando cheguei ao hotel que tinha marcado. No meio de um bairro afastado da cidade, onde só havia casas velhas e hoteis melhorzitos, cheguei à porta do meu hotel. Parecia um portão de uma casa normal, sem primeiro andar e pequena. A porta foi-me aberta por uma empregada e quando passei do portão parece que mudei de mundo. Deixei de ouvir carros e passei a ouvir passarinhos e grilos. A área de lazer é bem maior que a dos quartos, o que é muito raro, pois geralmente as pessoas querem maximizar os seus lucros. O quarto era simples mas super confortável e com tudo o que é necessário. Nem queria acreditar que estava num lugar assim, com uma vista daquelas e ainda por cima por um preço tão acessível. 


O barco e o seu Capitão

O melhor de tudo era o dono, o Capitão. Um homem cheio de energia, que com mais de 75 anos ainda faz mergulho, corre, e não pára quieto. Levou-nos a passear no seu próprio barco, a sítios onde não poderíamos ter ido se não fosse ele. Um homem que adora conversa e adora mimar os seus hóspedes. Cada pequeno-almoço era diferente e depois de sentados nunca sabíamos do que o Capitão se iria lembrar nesse dia... batido de abacate, bananada, sumo de laranja com beringela, cenoura ralada com sumo de laranja, etc.

 A frota lá de casa


Podem achar estranho escrever tantas palavras sobre um hotel onde fiquei 3 noites, mas a verdade é que foi mais do que um hotel, foi uma experiência. Se todos os gerentes se preocupassem com os seus hóspedes como este se preocupava tudo seria diferente. O seu esforço é compensado pela cotação mais alta de Angra, no site de hoteis booking.com, ultrapassando hosteis como o Vila Galé e o Pestana Hotel, factos dos quais orgulhosamente se gaba.

Vou morrer de saudades desta rede...

Por isso, se forem a Angra façam um favor a vocês mesmos e vão conhecer o Capitão!