Nascida e criada em Portugal. Já morei na Polónia, no Brasil, na República Checa e agora é a Suécia que me acolhe.
O meu blogue, tal como o meu cérebro, é uma mistura de línguas. Bem vindos!

Born and raised Portuguese. I have lived in Poland, Brazil, Czech Republic and now I'm in the beautiful Sweden.
My blog, just like my brain, is a blend of languages. Welcome!

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Cusco - Peru

ou Cuzco.

O idioma dos incas era o Quechua. No entanto esta lingua era falada mas não escrita, pelo que frequentemente se vêem versões escritas diferentes para a mesma palavra. Cusco é uma delas. O mais engraçado é que os Incas talvez não se chamassem bem Incas, mas talvez Enkas, Ingas ou algo parecido. Por outro lado, houve poucos Incas. É que não era o povo que se chamava Inca, mas apenas os Reis eram assim chamados, pelo que na verdade apenas existiram pouco mais de uma dezena de Incas. Nos tempos modernos generalizou-se e hoje em dia chama-se Inca ao povo.

Confesso que me apaixonei pela história dos Incas. Eram um povo muito moderno e desenvolvido para a época e sabe-se lá o que teríamos hoje se os espanhóis não se tivessem portado como portaram. Mas continuando...

Cusco é uma antiga cidade Inca. Foi construída no formato de um puma, um dos três animais sagrados dos Incas (os outros são a cobra e o condor). Na cabeça do puma fica Sacsayhuaman (soa quase como "sexy woman"), que não tive tempo de visitar, mas que vi da janela do autocarro (melhor que nada). 

A cidade fica a cerca de 3400m de altitude pelo que o melhor a fazer quando se chega a Cusco é... descansar... Eu não tive grandes sintomas de altitude (dores de cabeça, enjoos, coração a palpitar, cansaço), mas ficava cansada rapidamente. Principalmente a subir escadas. Depois de 10 degraus chegava lá em cima a arfar como se tivesse corrido que nem uma doida. Existe um remédio natural para a altitude que é chá feito com folhas de coca. Sim, essa coca mesmo. No Peru é legal fazer-se uso das folhas desta planta, e o chá tem só propriedades medicinais, mas não provoca efeitos especiais.


Depois de descansar algumas horas no hotel saímos para conhecer a cidade. As principais atracções ficam perto do centro e pode-se caminhar para todo o lado. A praça principal é novamente a Plaza de Armas, onde fica a Catedral e a Igreja de la compania de Jesus. A praça é linda! Muito antiga, bem arranjada e limpa. É nesta praça que fica também o pub Irlandês mais alto do mundo. Dizem que também é bom para curar os sintomas da altitude...

 Igreja de la Compania de Jesus

 Catedral de Cusco

 No arco da esquerda a Catedral e no da direita a Igreja


As cruzes são sempre enfeitadas. Vi isso em todas as cidades. 

Pormenor de uma fachada na Plaza de Armas

A uns minutos a pé da Plaza de Armas encontramos Coricancha (ou Qorikancha), um templo dos tempos Incas. Algumas paredes, soalhos e estatuetas no jardins eram cobertos de ouro. Quando os espanhóis invadiram a cidade, levaram o ouro, destruíram as paredes do templo e construíram uma igreja católica por cima, mantendo as bases feitas pelos Incas. Essas bases são muito mais resistentes que as construções espanholas, pois já houve vários terramotos que destruíram a igreja, mas todos os vestigios Incas continuam lá. 

Coricancha 

 Os jardins

O pateo interior
(Não tenho mais fotos de Coricancha porque não é permitido fotografar o templo)

Um outro facto engraçado sobre os Incas é a sua adoração pela natureza: a água, o sol e as montanhas. Isso ainda é bem visível no povo Peruano. Além de adorarem a natureza e de gostarem de passear e caminhar pela natureza, tratam muito bem do nosso planeta. Querem um exemplo? Em todos os quartos de hotel onde estive havia cestos diferentes para a separação de lixo orgânico e inorgânico. O inorgânico é depois separado pelo staff em papel, plastico e metal.


O que pode não parecer tão agradável são os vendedores ambulantes sempre a tentar vender roupas de alpaca, recordações, e afins. Por um lado, é bastante chato estar sempre a dizer que não, mas por outro lado não se vê ninguém a pedir. Há pessoas pobres, mas nunca se sentam na rua de mão esticada. Em vez disso pôem-se ao trabalho, dedicam-se aos trabalhos manuais e vendem os seus artigos. Houve vezes que não queria comprar nada, mas o/a vendedor(a) parecia tão cheio(a) de esforço que acabava por comprar pequenas coisas só para poder ajudar. Além disso, as coisas que vendiam, principalmente as roupas eram quase sempre boas e de verdadeira alpaca, enquanto que nos mercados eram muitas vezes importadas do Chile...

As pessoas que não têm jeito para trabalhos manuais também se desenrascam. Vestem-se com roupas tradicionais, trazem o seu cordeirinho ou lama da quinta e permitem que os turistas tirem fotos com eles pela módica quantia de 1 nuevo sol (uns 25 centimos). 


Outra coisa que gostei de ver foram aqueles trapos que servem de mochila. Primeiro pensei que era por as pessoas serem pobres e não terem dinheiro para uma mochila a sério, mas depois explicaram-me que aquela espécie de sacos é na verdade muito mais confortável. Sem partes duras, adaptam-se perfeitamente às costas e uma pessoa consegue carregar diversas coisas por mais tempo sem se cansar tanto. Inclusivé... os filhos. É bastante popular as mães carregarem bebés e crianças pequenas às costas, nestas mesmas sacolas.

Com tudo isto, ainda só estávamos no segundo dia e eu continuava a pensar... é impossível não se gostar deste país! E o melhor estava ainda por vir...

Alguém começou a fritar

Depois de um fim de semana enfiada no laboratório, saí-me com estas duas:

1- Olha que fofo, um passarinho a dormir ali no meio do passeio.

Era uma folha seca...


2- That depends if it's summer or lunch...
(Isso depende se é verão ou almoço...)

A tentar explicar que os horários dos voos daqui para Portugal mudam consoante a diferença horária.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

LIMA - Peru

Lima, a capital do Peru, foi a primeira cidade que visitamos. Com menos de 24h disponíveis, valeu-nos o city tour para conhecer os pontos mais importantes, porque a cidade é enorme. Lima superou todas as minhas espectativas pois não só tem uma parte mais antiga, no centro, como tem também bairros mais novos e modernos, como o Miraflores, onde se situam muitos dos hoteis. Além disso a cidade é cheia de parques e áreas verdes.

Todos os locais da cidade onde fui eram bastante limpos e organizados. A unica excepção será o transito, que é muito barulhento porque toda a gente busina constantemente. No entanto havia semáforos e passadeiras em todo o lado, o que facilita bastante a vida dos peões.

Tive pena de não poder ficar mais tempo em Lima e conhecer melhor a cidade, desta vez com tempo e a pé. Talvez para a próxima vez...

 Parque del amor, um parque à beira do oceano Pacífico. 

 Escultura no centro do parque.

 Catedral de Lima na Plaza de Armas, uma espécie de praça principal que existe em (quase) todas as cidades peruanas.

 Edifício do governo (ao fundo), também na Plaza de Armas

 Catedral vista por dentro. Imponente e muito bonita.

 Sala de reuniões dentro da Catedral. O papa João Paulo II esteve ali algumas vezes. Na mesma sala estão expostas algumas roupas (deve haver um termo mais técnico mas eu não sei...) que ele usou.

Monasterio de San Francisco, onde visitamos as catacumbas onde eram enterradas pessoas pelo que estão cheias de ossos humanos. Fez-me lembrar a capela dos ossos em Évora.


Estas duas imagens foram retiradas da internet, porque não são permitidas fotos dentro das catacumbas. 


Quem vai ao Peru não consegue vir de lá sem nutrir pelo menos um pequeno ódio pelos espanhóis. É que no século XVI, quando os espanhóis invadiram o Peru, destruíram muito e mataram muito. Esses actos foram maioritariamente executados em nome da religião católica, pois os povos que lá moravam, como por exemplo os Incas, tinham Deuses e crenças diferentes. O ódio pelos espanhóis (não pelos de agora, que há lá muitos turistas de Espanha, mas pelos de antigamente) pode ser visto no olhar magoado de cada peruano, principalmente nos guias quando falam desta parte da história. A imagem da foto acima retrata isso mesmo. Um padre espanhol, com um pé sobre uma cabeça decapitada e o seu coração "convertido" ao catolicismo na mão.

Acho importante reforçar mais uma vez, que não é nada contra os espanhóis de agora. Só contra os daquele tempo.

No Parque del Amor havia também estes "solmáforos" que indicavam qual o nivel de protecção necessária para cada dia. Acho que esta ideia deveria ser importada para Portugal e para o Brasil também, onde o sol abunda e é forte.

Durante esta curta visita a Lima os turistas são também relembrados constantemente do que ainda vão visitar (suponho que são raros os turistas que visitam Lima e não vão a Machu Picchu, a mais famosa cidade Inca do mundo)... e a excitação aumentava mais e mais a cada dia que passava...


segunda-feira, 28 de maio de 2012

Corrida da Caixa

A caixa é um banco brasileiro. A caixa organiza uma corrida há vários anos em várias cidades do país. A corrida é popular porque os prémios para os primeiros classificados são grandes, bons e em dinheiro. Hoje tive o prazer de ter "corrido" (eu corri, eles voaram!) com quenianos, atletas olímpicos e gente muito muito rápida. Além disso, eles dão os tão esperados prémios por faixa etária, o que é bom para os demais atletas não tão rápidos.

Com o pescoço ainda meio torto decidi correr (a pensar numa medalha de categoria, confesso...). Aqueci muito bem o ombro, pus-lhe uma daqueles coisas (vima?) que aquecem o musculo e aí vou eu. Logo cedo percebi que o meu problema não ia ser só o ombro mas também os pulmões. Pensava que a altitude do Peru me ia dar aquele extra espaço no pulmão, mas estava completamente enganada! Sem treinos durante 3 semanas a coisa não estava nada bem e cansava-me demasiado rápido.

Assim, tinha duas opções... arriscar a lesão e os pulmões e correr que nem uma doida à mesma, ou levar a coisa devagar e que se lixem as medalhas de categoria, até porque depois da corrida vou cozinhar para 12 pessoas e preciso de energia. Foi a escolha certa, porque cheguei à hora de saída dos resultados e a porcaria do meu chip não funcionou! Com o tempo que fiz hoje, devagar, ficaria em 4º da categoria, mas com o meu tempo normal, o que teria obtido se me tivesse esgalgado toda, teria ganho a categoria e mesmo assim não teria subido ao pódio por causa da porcaria do chip de cronometragem.

Estou fula e ao mesmo tempo contente por não ter arriscado a lesão em vão.

A seguir passei 3h na cozinha (a fazer o que mais gosto, fique-se a saber) e valeu muito a pena ter guardado energia para isso porque fartei-me de receber elogios.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Em modo pause

Desde a Polonia que acumulo stress num determinado sitio do ombro. Agora esse sitio não aguentou mais e decidiu fazer greve, pelo que estou em casa desde quarta feira a tratar esta espécie de torcicolo. Hoje foi a primeira vez que me consegui sentar sem dores de me fazerem querer arrancar os olhos. O computador está proibido (shiuuu) pelo que estava eu sossegada a ler a minha revista de corrida quando viro a página e... Oi? Olha eu e o J.! Foi naquela corrida em que fiquei em 4º lugar. O fotografo deve ter mesmo gostado da nossa foto, porque no dia seguinte estava no site da revista e agora saiu na própria revista. 

Agora vamos ver se o pescoço me deixa correr no Domingo. Vou já de volta para a cama a ver se recupero a tempo.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

O princípio, o meio e o fim

O princípio
Tudo começou com um voo de BH a São Paulo dentro de uma lata podre a que chamaram avião. Foi a primera vez na vida que tive medo de uma viagem de avião e só queria que tudo acabasse. O avião fazia um barulho que parecia uma mota podre, e o pior foi quando deixei de ouvir esse barulho e o avião deu um solavanco ao mesmo tempo. Afinal estava tudo normal. Parece que todos os aviões fazem isso, a diferença é que não damos conta porque geralmente não roncam assim...

O meio
Em todos os hotéis, tours e transfers aeroporto/hotel a nossa reserva estava no nome de... Camiño Inca Y Lago. Porquê ninguém sabe ao certo. O mais engraçado era nos transfers, quando estava alguém à nossa espera com um cartaz a dizer isso. Eu sei que o nosso pacote foi personalizado mas não era preciso mudarem-nos o nome. Resta saber qual de nós era o Camiño Inca e qual de nós era o Lago.

Chegada a Puno

O fim
No check in em Lima perguntaram-nos se queríamos as malas enviadas directamente para BH, ao que dissemos que sim. O tempo de espera em São Paulo seria bastante longo e queríamos tentar sair do aeroporto para dar uma volta, e sem as malas era melhor. Serviu para alguma coisa? Não!

1. Ao chegar a São Paulo tivemos que ir buscar as malas ao tapete. Deveríamos entrega-las num balcão só para conexões, o que deveria facilitar a vida. A fila era enorme! Esperamos 1h para sermos atendidos! 

2. Afinal só podíamos entregar as malas 3h antes do voo. 

3. O senhor rasgou o nosso cartão de embarque emitido em Lima (em papel normal) e deu-nos um novo exactamente com as mesmas informações, mas imprimido em papel de talão de multibanco. 

Para que serve então o check in associado??? Tive que andar com as malas de um lado para o outro, não as pude entregar mais cedo do que o normal e ainda me rasgaram o cartão de embarque para me darem um pior. Nessa altura só me ocorreu um pensamento: "benvinda de volta ao Brasil"...

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Uma maravilha do mundo depois...

Estou de volta depois de umas das melhores viagens que fiz na vida!
Diverti-me imenso, aprendi muita coisa, fiz amigos para o resto da vida, o meu Espanhol tornou-se fluente e fiz muitas descobertas inesperadas.
Resumidamente, apaixonei-me pela história dos Inkas e pelo Perú em geral. Pela paixão do seu povo pela natureza. Pela sua gastronomia tão rica e tão simples ao mesmo tempo. Pelas paisagens. Por Inka cola!

Depois explico melhor. Agora tenho que pensar como começar a contar todas as minhas histórias e como escolher as melhores fotos de entre mais de 2000 que tirámos...

Aguardem que mais posts virão em breve.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Estou ocupada...

Se as minhas pernas não me falharem e os meus pulmões sobreviverem à altitude, por esta hora ando a passear por aqui. 


terça-feira, 8 de maio de 2012

A aventura começa...

... hoje!

Sonhei com esta viagem durante anos.
Sonhei mais a sério com ela, sabendo que a ia fazer, durante meses.
Planeei tudo desde Novembro.
Ainda mal acredito que o dia chegou...

Estou de saída para o aeroporto. Para onde vou? Voltem daqui a uma semana e saberão. Por enquanto vou apenas dizer que é um sítio alto, frio e uma das 7 maravilhas do mundo.

Fui!

Inverno à porta

Finalmente as temperaturas desceram e foram-se embora os dias de 35°C ou mais. Demorou 2 anos, mas conseguiram cansar-me de calor. Agora com temperaturas mais amenas começa o Brazilian winter fashion. É que as lojas já só vendem artigos de Inverno desde depois da Páscoa (esteja frio ou calor) e vê-se muita gente com uma mistura de estilos, porque com certeza querem usar as coisas novas que compraram, mesmo que esteja um calor de morrer. Isso para mim é engraçado, porque estão exactamente as mesmas temperaturas de Janeiro e Fevereiro, mas as pessoas começam a vestir roupas quentes. Nunca consegui tirar fotos deste estilos, mas vai de raparigas de calções e t-shirts e botas pelo joelho, a jeans com cachecóis e havaianas, etc. 

Ontem ao caminhar para casa depois do trabalho vejo uma rapariga em sentido contrário que vestia um casaco de Inverno, botas, cachecol e luvas! O termómetro marcava 26°C...

É certo que depois de 4 meses com temperaturas acima dos 30°C sente-se mais frio aos 26 do que se tivessemos vindo de temperaturas negativas... mas cachecol? E luvas?????