Nascida e criada em Portugal. Já morei na Polónia, no Brasil, na República Checa e agora é a Suécia que me acolhe.
O meu blogue, tal como o meu cérebro, é uma mistura de línguas. Bem vindos!

Born and raised Portuguese. I have lived in Poland, Brazil, Czech Republic and now I'm in the beautiful Sweden.
My blog, just like my brain, is a blend of languages. Welcome!

sábado, 11 de agosto de 2012

Blumenau


A cerca de 150 Km de Florianópolis fica a cidade de Blumenau. Foi-me dito que é a cidade mais Alemã do Brasil, devido às influencias alemãs trazidas pelos emigrantes, e que parece mesmo uma cidadezinha alemã, com as suas casas, restaurantes e bares. As minhas expectativas subiram ao pensar que poderia por momentos voltar à Alemanha, mesmo que fosse neste país tão distante. 

Desiludi-me completamente...

Um dos poucos prédios de origem alemã 

A cidade verdadeira tem alguns edificios de arquitectura alemã bastante bonitos, espalhados aqui e ali, no meio de outros edificios "normais", e é só isso. Perto do centro existe o famoso centro alemão (parecido a um centro de exposições) que tem 2 ruas cheias de lojas de souvenirs e restaurantes. Nesse centro, as construções são bem alemãs, mas é difícil não pensar que é tudo feito para os visitantes e não verdadeiramente alemão. Escolhemos um dos restaurantes para almoçar e o menu era rico em salsichas, batatas e outras delicias típicas alemãs. Quanto às bebidas queríamos uma boa cerveja alemã, mas o restaurante só tinha... cerveja brasileira. O empregado disse-nos que podíamos pedir cerveja no bar ao lado, que tinha vários tipos, e consumir ali sem qualquer problema. O bar ao lado também não tinha cerveja alemã, tinha sim uma cerveja brasileira que imita a alemã. Os vários tipos de cerveja prometidos, eram vários tipos diferentes mas todos da mesma marca e todos muito fraquinhos...

 Parque alemão

 Uma falsa alemã que por lá apareceu...


Então, assim nem vale a pena visitar Blumenau? Claro que vale! Só não visitem Blumenau com largas esperanças de irem passar o dia à Alemanha, principalmente se conhecem bem este país. 

 Catedral São Paulo Apostolo

 Torre do sino

 Teatro Municipal



Museu da cerveja, onde vimos quantas cores pode ter uma cerveja


Terminamos o dia com um lanchinho, que alemão ou não, era muuuuuiiiito bom!

A caminho de casa passamos ainda por Balneário Camboriú...

 Cristo de Balneário Camboriú


Resumindo, apesar de tudo divertimo-nos imenso e acredito que visitado na altura certa, Blumenau pode ser a animação total. Nós vamos dar-lhe uma segunda oportunidade e voltar lá durante o Oktoberfest, a festa alemã mais tradicional. Nessa altura iremos sem expectativas, para nos podermos surpreender e deixar levar pela festa, sem pensar se é ou não alemã.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Pérolas à Brás (iu) #3 - O técnico

Um rapaz meio acanhado veio cá a casa trocar o aparelho da TV a cabo. Sem querer desligou o aparelho principal da tomada, que está ligado ao da TV cabo e ao da internet.
Comentei com ele que tinha perdido a internet e ele mexeu nos cabos. 

Eu- Não, ainda não tenho internet. 
Tecnico- Ah, vou trocar aqui outra vez. 
5 minutos depois...
Eu- Não, nada.
T- Ah, sabe, às vezes é o sinal da internet que falha.
Eu- Há um ano que tenho este plano e a internet nunca falhou!
T- Ontem por exemplo, a internet estava sem sinal.
Eu- Aqui ontem a internet não falhou. Aliás, nunca falhou!
T- Pois, mas deve ser o sinal.
     
E vai até ao aparelho que ele desligou, chama-me para ver e aponta para uma luz, com a palavra internet escrita por baixo, que estava apagada.

T- Está a ver aqui... esta luz devia estar acesa e não está. É o sinal que está baixo. Mas eu já ligo ao meu colega e já lhe pergunto o que se passa.

Enquanto ele se senta a ligar ao colega e olho para a luz apagada de novo e vejo que ao lado tem um botão que diz: "internet on/off".
Carreguei no botão e resolvi o grande mistério. Como o técnico estava ao telefone não lhe pude dizer logo e ouvi-o dizer.

T- Era a internet que estava sem sinal, mas já voltou. Pois foi o que eu disse à cliente, que era o sinal que estava baixo, mas agora voltou. Blá blá blá conversa de técnico...

Desliga o telefone.

T- Viu, era o sinal que estava baixo. Blá blá blá mais conversa de técnico...
Eu- Ah sim? Mas eu acho que a internet voltou quando eu carreguei no botão do ON que está no aparelho...
T- Botão? Ah... não sabia...


Entre este e a secretária que se achou importante a ponto de aprovar bolsas de alunos sem o chefe saber... despedia-os a todos!

Florianópolis


Estivemos em Florianópolis na passagem de ano. Dessa vez, metade dos dias choveu e na outra metade o J. ficou doente, o que fez com que não aproveitássemos muito. Assim, um mês depois de regressarmos do Peru, decidimos rumar a sul e conhecer melhor a cidade no Brasil onde se tem maior qualidade de vida.

Uma das moradias enormes em Jurerê Internacional

Como estávamos no inicio do Inverno os preços estavam mais baixos e ficamos no bairro de Jurerê,  um dos mais caros e cheios no Verão, coladinho ao bairro de Jurerê Internacional, onde muitos famosos passam férias (em Dezembro estava lá a Fergie).















Fortaleza de São José da Ponta Grossa



 Lagoa da Conceição, com as dunas ao fundo

 Lagoa da Conceição

 Nas dunas...

 ... com o mar ao fundo

 Sandboard

É o que dá levar ténis abertos para as dunas...

 Também vimos mais a fauna da região.


 E divertimo-nos a correr atrás de borboletas para lhe tirarmos fotos...




O dia dos namorados brasileiro tinha sido há poucos dias (no meio de Junho!) e tivemos uma surpresa no nosso quarto. Gostei especialmente do meu pijama enrolado em forma de pato estrangulado adormecido...


 Foram dias de muito relaxamento e passeios pela praia







domingo, 5 de agosto de 2012

I ❤ PERU


Peru em poucas palavras


Inca.


Natureza.


Simpatia.


Simplicidade.


Cores.

Assim termino o relato das minhas aventuras pelo Peru. Se pudesse escolher apenas um país para regressar um dia, a minha escolha seria o Peru, por isso espero mesmo poder voltar outras vezes. 
Se quiserem ler o relato do meu companheiro de viagem, cliquem aqui (em inglês).

Culinária Peruana

Durante os preparativos para a viagem li muitas páginas sobre o Peru, incluindo sobre a gastronomia local. Se por um lado lia nos guias que a cozinha peruana era uma espécie de cozinha francesa da América do Sul (numa das páginas da internet li que o Peru tem a segunda melhor culinária do mundo!), por outro lado tinha a rapariga da agência de viagens a dar-me panfletos sobre cuidados a ter com a comida durante a viagem, como por exemplo que podia esquecer as saladas e os vegetais crus. Eram informações contraditórias e eu já não sabia o que pensar.

No primeiro jantar, em Lima, evitei os tais vegetais crus, mas logo percebi que isso era um erro e que a cozinha peruana era para ser aproveitada em todo o seu potencial. Todos os vegetais eram super frescos e saborosos. Na verdade, já tive mais problemas com a qualidade dos vegetais aqui no Brasil do que lá.

A agricultura no Peru é muito rica em batatas (mais de 2000 tipos, segundo os guias locais) e em milho. As batatas podem ser mais ou menos doces, de todos os tamanhos e cozinhadas de vários modos. Algumas são vendidas desidratadas e depois cozinhadas normalmente. O sabor é diferente e muito bom. O milho também pode ter vários tamanhos (havia um tipo que um grão ocupava metade do garfo!), cores e pode ser comido cozinho, tostado (pareciam pipocas que não rebetaram, uma delícia!), em molhos, em sopas, etc. Estes dois produtos são os acompanhantes mais comuns das refeições principais.

Um graozinho...

... ou mais para acompanhar.

Alguns tipos de milho (a qualidade da foto não é a melhor porque não se podiam tirar fotos neste museu).

O terceiro produto mais comum são os ajis, uma espécie de chili ou pimentos picantes, vendidos frescos, secos, ou em pó e consumidos em molhos.

 Aji de frango

Anticuchos (em Lima), espetadas de carne, batatas e milho

Com tanta riqueza em vegetais, as sopas são também um elemento constante nas refeições peruanas. E que sopas! Curiosamente, as melhores sopas que comi foi durante o caminho Inca, feitas pelo chef do acampamento.

Sopa de legumes (mais próxima) e uma espécie de canja de galinha (ao fundo).

Sopa à base de milho

Quanto às proteínas, a cozinha peruana contém muito peixe e mariscos, devido à sua extensa costa marítima, e carnes como alpaca e cuy (porquinho da india), além dos tipos mais comuns como vaca, porco, frango e pato.

 Alpaca com molho de frutos vermelhos, batatas desidratadas e legumes.

 Cuy com batatas

 Peixe grelhado com ervas, acompanhado de batatas e molho de milho.

 Frango recheado com tomate e espinafres, puré de milho e vegetais.

 Bife de porco grelhado com molho de cogumelos, acompanhado com puré de milho e vegetais.

Bife de porco com queijo e tomates, acompanhado de batatas, legumes e abacate.

Vários tipos de batatas e vegetais.

Peixe fresco grelhado 

Porque a comida era tão boa, provei poucas sobremesas porque ficava bem satisfeita só com o prato principal. 

Pudim e arroz com leite (versão do nosso arroz doce) coberto de mazamorra, um doce feito à base de milho escuro.

Talvez por influência espanhola, as tapas também constam nos menus.

Tapas: espetada de frango, queijo grelhado, tomate fresco, abacate, beringela grelhada, pimentões e humus.

Tapas: pão, batatas panadas, meloa, fiambre, tomate fresco, queijo com ervas e azeitonas, nachos, e guacamole.

As bebidas mais tradicionais são o Pisco Sour (com álcool) e a Chicha Morada, uma bebida à base de milho. Se o que queremos é um refrigerante, temos a Inca Kola, uma bebida de sabor indescritível (fiquei viciada!!!). Podemos ainda beber uma Cusqueña, a cerveja local ou optar pelo chá de folhas de coca, que hidrata e ajuda a reduzir os sintomas da altitude.

Inca Kola, de cor amarela e sabor a pastilha elástica.

Chá de folhas de coca e menta fresca

Além de disso, o serviço nos restaurantes era excelente, fossem eles mais ou menos populares. Os empregados primam por fazer com que os seus clientes se sintam bem e aproveitem a sua refeição. Num deles, o empregado depois de nos perguntar de onde eramos e se estavamos a gostar da viagem, agradeceu-nos muito por termos escolhido visitar o Peru e por estarmos a contribuir para o desenvolvimento do país. Bem diferente de muitos restaurantes de Belo Horizonte, onde atender um cliente que não fala português é encarado como um frete.

Durante o caminho Inca a comida foi sempre fantástica. Além das sopas, comemos peixe, carne, pão de alho, pizza, crepes e ainda havia as happy hour, com pipocas, bolachas e chocolate quente.

 Banquete do jantar de despedida

 O meu prato...

Happy hour!

Infelizmente, dez dias não foram o suficiente para provar tudo o que a cozinha peruana tem para oferecer, e isso mostra como é uma cozinha rica e muito variada, tanto em produtos como em técnicas culinárias. Se visitarem o Peru, não hesitem... provem tudo e deixem-se levar pelos sabores andinos.

Para reduzir as saudades desta viagem e da comida peruana, trouxe dois livros de receitas tradicionais e alguns produtos que aqui não se encontram. Agora é só ganhar coragem e tentar reproduzir o que por lá comi...